ALGARAVIAS (ENIGMÁTICO)

de Waly Salomão

traduzido por Gabi Bresola com desenhos de Isadora Stähelin

2018

 

Edição traduzida do livro Algaravias, de Waly Salomão, de texto para a forma de carta enigmática, em desenhos só de contorno preto. Todos os poemas, consequentemente, aumentaram o tamanho das páginas do livro, mas mantém a estrutura textual, disposta e diagramada na mesma ordem. O formato segue o 14x21cm como o original, capa triplex com impressão 4x0 cores e miolo em Pólen soft 80g/m², publicado pela editora 34.

 

Waly tinha ascendência árabe. Não gostava que o chamassem de “uóli”, com sonoridade da língua inglesa, pedia que o chamasse de “ualí”, com o ípsilon no agudo por que atestava, de algum modo, a origem árabe, e pedia uma leitura interpretativa de seu nome a partir de sua ascendência. Essa questão fonética também está presente em toda sua obra, que cospe palavras num ritmo poético, fazendo com que a leitura saia em disparado. De todos os seus livros, um que talvez possua nome e composição mais aproximada da pessoa-figura que ele era, talvez seja Algaravias, publicado originalmente em 1996. Começando pelo título, que tem origem árabe, e se define como uma mistura confusa de vozes, uma linguagem confusa, que pode ser ininteligível ou incoerente. Depois do contato com a análise de Roberto Zular sobre Algaravias: “É possível pensar que o alcance de Algaravias se dê pelo fato de Waly não abrir mão dos problemas que se colocavam até então, mas submetê-los a uma restrição formal que os comprimissem a ponto de fazê-los tornarem-se metáforas de si mesmos: o ato é mímesis do ato, o teatro é de gestos implícitos, a citação é tutano e câmara de ecos, a escrita em processo torna-se imagem, em suma, a compressão transforma tudo em metáfora, metáforas, metáforas, metáforas/ metáforas à mancheia”, fizemos um re-livro, uma tradução do original no sentido de trazer a via imagética e caótica de Waly, propondo outra leitura fonética e outro ritmo, um livro do mesmo livro, já que Waly disse que sempre sonhou em ser poeta de livro.

 

A tradução realizada como a técnica do “enigma” (muito utilizada como atividade na escola) induz a inúmeras leituras (também caóticas) entre imagem e texto, quando, neste modelo, é preciso olhar para um desenho representativo de algo, interpretar seu nome por escrito, subtrair sílabas para então formar as palavras que compõem os poemas. Os desenhos foram realizados por Isadora Stähelin.