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Não escrevo mais — pra que escrever? Tudo que há de belo já foi dito e bem dito. Em vez de fazer uma obra, é talvez mais sábio descobri-la, nova, sob as antigas.

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se eu lhe disser que o mar começa você dirá que ele cessa se eu lhe disser que ele avança você dirá que ele cansa se eu lhe disser que fala você dirá que ele cala e tudo será mar e nada será o mar o mar mesmo aberto atrás da popa como uma fruta roxa uma vulva frouxa no seu mel orgasmo no seu mal espasmo o mar gárgulo e gargáreo gorjeando gárrulo esse mar esse mar livro esse livro mar marcado e vário meu

GRÃOS E CEREAIS

SEM GLÚTEN/SEM LACTOSE

FITOTERÁPICOS

SUPLEMENTOS ESPORTIVOS

DIET E LIGHT

ERVAS MEDICINAIS

SEMENTES

OLEAGINOSAS

FRUTAS CRISTALIZADAS

ESCREVER

-ATRAVÉS

marcos walickosky  

“escrever-através” surge de uma pesquisa de, e sobre, apropriação de textos para a construção de “novos” trabalhos de escrita no campo das artes visuais. 

como ponto de partida estão os conceitos de “escrita não-criativa”, cunhado por kenneth goldsmith, e o “escrever-através”, citado por marjorie perloff, a partir de john cage. além de algumas produções artísticas contemporâneas das artes visuais e literatura.
 

de modo prático-teórico, o livro é composto por três trabalhos de texto que percorrem a maior parte da publicação e que foram construídos a partir de textos acadêmicos, textos literários e textos coletados na rua — no trajeto de casa até a universidade.
 

além dos três trabalhos que se entrecruzam ocupando diferentes áreas das páginas, no final do livro, dois textos falam sobre os processos e os procedimentos usados na pesquisa, um de marcos walickosky e outro de telma scherer.

inicialmente, todos os exercícios de escrita que geraram os textos do livro foram realizados numa pesquisa de mestrado em artes visuais, também intitulada “escrever-através”, com orientação de regina melim, na universidade do estado de santa catarina. em 2019, a versão final da dissertação foi impressa em folhas soltas de papel vegetal. tempo depois, a pesquisa foi transformada em um projeto cultural para que pudesse ser publicada, “escrever-através” passa a ter outro formato.

 

a pesquisa desenvolvida por marcos walickosky de 2017 até 2019, tornou-se uma exposição "pôr a escrita nas palavras que vejo"  [que pode ser vista aqui] e um livro, em 2021, num projeto que contou com a coordenação editorial de gabi bresola / editora editora, o projeto gráfico de marcos walickosky, o texto crítico de telma scherer, a revisão e assessoria de imprensa de barbara pettres e uma fotografia feita por fernanda medeiros.

edição em formato 12x18cm, 176 páginas, impresso em ofsete 1x1 preto com acabamento costurado e colado, capa em ofsete 240g/m² com laminação fosca.

“escrever-através” faz parte do projeto “sobrescrever”, realizado pelo governo do estado de santa catarina, por meio da fundação catarinense de cultura, com recursos do prêmio elisabete anderle de apoio à cultura / artes – edição 2019.

a cota de distribuição gratuita ocorreu nos lançamentos de itajaí, criciúma e florianópolis.