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RELES CHÃO

de Sebastião Gaudêncio Branco

2016

 

Cartaz com 41x58cm branco ofsete com apenas com uma imagem formada de sobreposições de imagens, impressa no centro, em tons de cinza, que sangra para o lado direito e esquerdo, e outra impressa na vertical com uma imagem de monotipia feita com chapa de madeira de pinheiro crua. Abaixo desta imagem, um recorte de uma imagem de página com rastro de neve na vertical e textura de pinus na área direita. Abaixo das sobreposições de imagem, o texto “quantos horizontes necessários são, para descobrir que lá, no fundo, todo mar é terra firme? quantos são para descobrir que lá, no fim, toda linha é utopia?” restando uma margem branca na área do papel acima da imagem e outra abaixo do texto. Impresso em ofsete, os 200 exemplares são distribuídos enrolados como um cilindro, com uma folha de papel vegetal contendo créditos e espaço de numeração.

 

Reles chão é o nome da exposição que Sebastião realizou em 2016, em dois lugares: na cidade de nascença, Lages/SC, e em Florianópolis/SC, cidade onde mora há mais de dez anos.

 

Os percursos feitos por ele, dirigindo em horas de observação com olhar frontal (que sempre tentou ser panorâmico), nas viagens que fazia como motorista, se mostraram como períodos para pensar a tão clássica e batida ideia de paisagem. Considerando as divergências, contrastes e aproximações entre serra e mar, a proposta dos trabalhos usava a representação da linha como objeto. Tanto como delimitadora, no limite entre seu estado de fronteira, de horizonte, de percurso, mas também a linha física e o traço com desenho construtivo. Para desenvolver as imagens, Sebastião coletou grande parte dos materiais para matrizes em edificações de obras e fez com madeiras nativas da Serra. O espaço de impressão foi de tecidos e páginas de livros retiradas de uma edição com várias imagens que representavam frio e neve. Impressas em preto, as partes brancas de neve, como rastros e paisagem de fundo, se apresentavam como desenho. A partir da dupla leitura com a bibliografia anti-tropical de A estética do frio, de Vitor Ramil, o artista fez impressões com suas matrizes cruas. A paisagem abstraída com simplicidade e minúcia perseguiu a narrativa com horizonte e o binarismo entre os dois lugares e as duas técnicas advindas delas. O cartaz foi um propósito para expor o processo entre a curadora e artista, com um pedaço do texto da exposição e um pedaço de imagem. Uma linha com as duas coisas que atravessa a página e torna-se um novo trabalho, sem nunca saber ao certo onde é seu início e seu fim.