SOBRE A MORAL

de Albert Camus, por Daniel Leão e Djuly Gava
2016

 

Edição de livro que estava dentro de um livro, Sobre a moral é uma publicação em formato padrão de 14x21cm, com capa branca, escrito em preto “Sobre a moral”, alinhado na parte superior, e “Albert Camus” alinhado na parte inferior, ambos centralizados. Lombada quadrada e miolo com 100 páginas de papel ofsete 75g/m². Destas, 99 são em branco, e, na última, consta a frase: “Eu não conheço nenhum dever que não seja o de amar. E para o resto eu digo não. Eu digo não com todas as minhas forças”.

 

Andando a caminho do mercado, Daniel, amigo da editora, questionou sobre os custos de produção de um livro impresso, querendo saber qual a diferença de imprimir um livro com todas as páginas com e sem textos; como seria produzir um livro em branco, que não era totalmente em branco? Para responder com certeza, houveram diversas consultas e orçamentos com diferentes gráficas. As respostas foram de valores altos, pois justificaram que produzir um livro com somente uma página impressa, daria no mesmo, pois teria processo similar aos demais livros com todas as páginas impressas. Pois, embora e justamente as páginas não tivessem nada escrito, o trabalho de refile, montagem, costura e cola eram os mesmos, assim como o tempo e uso dos funcionários, porque a impressão quem faz é a máquina. Deste modo, o projeto gráfico variou em diversos testes com inúmeras cores para a capa, mas no fim, acabou sendo feito totalmente na cor branca, com duas áreas impressas: primeira capa e frente da última folha, penúltima página.

 

Djuly Gava e Daniel Leão conceberam esta publicação a partir de uma anotação, de setembro de 1937, do filósofo e escritor franco- -argelino que dizia: “As nuvens se acumulam acima do claustro e a noite pouco a pouco assombra as lápides onde se inscreve a moral que atribuímos àqueles que estão mortos. Se eu tivesse que escrever aqui um livro de moral, ele teria cem páginas, e 99 ficariam em branco. Na última, eu escreveria: ‘Eu não conheço senão um só dever e este é aquele de amar’. E, para o resto, eu digo não. Eu digo não com todas as minhas forças. As lápides me dizem que isto é inútil e que a vida é como o sol que nasce e se põe. Mas não vejo o que a inutilidade subtrai à minha revolta e sinto o que ela acrescenta’’.

 

A tradução (livre) foi feita pelos autores com a colaboração de Bruno Velasco.